12 de outubro de 2026

Por Hospital e Maternidade Santa Cecília

Cirurgia de Apendicite: Como É Feita e Recuperação

Cirurgia de Apendicite: Como É Feita e Recuperação

A apendicite aguda é a inflamação do apêndice, uma pequena estrutura em forma de tubo localizada no intestino grosso, no lado direito inferior do abdômen. Quando esse órgão se inflama, o tratamento mais indicado na maioria dos casos é a cirurgia de remoção do apêndice, chamada de apendicectomia.

Sintomas da apendicite

A apendicite costuma começar com dor abdominal, que é o sintoma mais comum e está presente em mais de 90% dos pacientes. Reconhecer os sintomas precocemente é importante, já que o diagnóstico e o tratamento rápidos reduzem o risco de complicações como a perfuração do apêndice.

Os sinais e sintomas mais característicos incluem:

  • Dor abdominal: geralmente começa de forma vaga na região ao redor do umbigo e, em mais da metade dos casos, migra para o lado inferior direito do abdômen dentro de 24 horas.

  • Perda de apetite (anorexia): presente em cerca de 80 a 90% dos pacientes.

  • Náusea e vômito: ocorrem em aproximadamente 40 a 60% dos casos, geralmente após o início da dor.

  • Febre baixa: costuma ser discreta nas fases iniciais, podendo se tornar mais alta se houver perfuração ou infecção mais extensa.

  • Dor ao toque no lado inferior direito do abdômen, que piora com a tosse, o movimento ou a palpação local.

  • Alterações do hábito intestinal, como diarreia ou constipação, mais comuns em crianças.

Em crianças pequenas, o quadro pode ser menos típico, com recusa em andar, distensão abdominal e irritabilidade, enquanto em idosos os sintomas podem ser mais discretos, o que às vezes atrasa o diagnóstico.

Caso a dor abdominal se torne mais intensa e generalizada, acompanhada de rigidez da barriga, febre alta ou mal-estar importante, é sinal de que pode ter ocorrido perfuração do apêndice, o que exige atendimento médico imediato.

O que é a cirurgia de apendicite

A apendicectomia é a retirada cirúrgica do apêndice inflamado. É considerada um tratamento definitivo, já que, ao remover todo o órgão, elimina-se o foco da infecção e a possibilidade de a apendicite voltar a ocorrer.

Quando a cirurgia de apendicite é indicada

A cirurgia de apendicite é indicada para a grande maioria dos pacientes com apendicite aguda. Em alguns casos específicos, pode ser necessário avaliar outras estratégias antes de decidir pela operação:

  • Apendicite não complicada: quando os exames de imagem não mostram sinais de gravidade (como apendicolito, massa inflamatória ou apêndice muito dilatado), tanto a cirurgia quanto o tratamento com antibióticos podem ser considerados, respeitando a preferência do paciente.

  • Apendicite complicada, com sinais de perfuração, abscesso ou peritonite generalizada: a cirurgia costuma ser indicada com mais urgência, podendo ser necessária uma cirurgia de emergência em casos de infecção generalizada.

  • Abscesso periapendicular: cerca de 5 a 10% dos pacientes apresentam formação de abscesso; nesses casos, o tratamento inicial costuma ser drenagem e antibióticos, com a cirurgia realizada posteriormente (apendicectomia de intervalo).

  • Pacientes não aptos para cirurgia (com múltiplas comorbidades ou alto risco cirúrgico): o tratamento com antibióticos pode ser a primeira escolha, reservando a cirurgia para os casos em que o tratamento clínico falha.

Vale destacar que o tratamento exclusivo com antibióticos resolve o quadro em boa parte dos pacientes com apendicite não complicada, mas até 30 a 40% deles podem precisar de cirurgia dentro de 5 anos, especialmente se houver apendicolito.

Como é feita a cirurgia de apendicite

A apendicectomia pode ser realizada por duas técnicas principais:

  • Cirurgia laparoscópica: é a técnica mais utilizada atualmente, considerada o padrão-ouro. É feita por meio de pequenos cortes (geralmente três incisões de poucos milímetros) no abdômen, por onde são inseridos uma câmera e instrumentos cirúrgicos. O cirurgião localiza o apêndice, secciona o suprimento sanguíneo e a base do órgão com grampeadores cirúrgicos e remove o apêndice através de um saco coletor. Entenda mais sobre a videolaparoscopia.

  • Cirurgia aberta: realizada por meio de uma incisão maior no abdômen. É mais utilizada em locais com menos recursos tecnológicos ou em situações específicas, como casos muito complicados ou cirurgias abdominais prévias extensas.

A cirurgia é feita sob anestesia geral. Em comparação com a cirurgia aberta, a via laparoscópica está associada a:

  • Menor tempo de internação;

  • Retorno mais rápido às atividades rotineiras;

  • Menos dor no pós-operatório;

  • Menor taxa de infecção da ferida cirúrgica.

Preparo para a cirurgia de apendicite

Antes da operação, alguns cuidados são adotados pela equipe médica:

  1. Avaliação clínica: exame físico, exames de sangue e de imagem (geralmente ultrassonografia ou tomografia computadorizada) para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade do quadro.

  2. Jejum: é necessário interromper a ingestão de alimentos e líquidos por um período determinado pela equipe médica antes da anestesia.

  3. Antibióticos preventivos: uma dose de antibiótico de amplo espectro é administrada por via intravenosa antes da cirurgia, reduzindo o risco de infecção no local da ferida.

  4. Avaliação do risco cirúrgico: principalmente em pacientes mais velhos ou com outras doenças associadas, é feita uma avaliação da aptidão para a cirurgia, pesando riscos e benefícios do procedimento.

Como a apendicite costuma ser uma emergência, o tempo de preparo é geralmente curto, e a cirurgia é realizada o quanto antes.

Cuidados após a cirurgia

Após a apendicectomia, os cuidados recomendados incluem:

  • Internação curta: a maioria dos pacientes recebe alta em menos de 24 horas após a cirurgia, podendo haver alta no mesmo dia em casos não complicados.

  • Antibióticos: em casos de apendicite não complicada, não são necessários antibióticos após a cirurgia. Já em casos complicados, costuma-se manter um curso curto de antibióticos, podendo durar poucos dias.

  • Controle da dor: uso de analgésicos conforme orientação médica.

  • Retomada gradual da alimentação: a dieta costuma ser reintroduzida progressivamente, de acordo com a tolerância do paciente.

  • Cuidados com a ferida cirúrgica: manter o curativo limpo e seco, observando sinais de vermelhidão, secreção ou febre.

  • Retorno às atividades: pacientes operados por via laparoscópica costumam retornar às atividades rotineiras mais rapidamente do que aqueles submetidos à cirurgia aberta.

Riscos da cirurgia de apendicite

Embora seja um procedimento seguro, a apendicectomia pode apresentar complicações, com taxas que variam conforme a gravidade da apendicite e a técnica utilizada:

  • Infecção da ferida cirúrgica: mais comum na cirurgia aberta do que na laparoscópica.

  • Formação de abscesso abdominal.

  • Obstrução intestinal por aderências: estimada em cerca de 2,8% dos casos, sendo menos frequente após cirurgia laparoscópica.

  • Sangramento.

  • Complicações relacionadas à anestesia geral.

De forma geral, as taxas de complicação são mais baixas em casos de apendicite não complicada (cerca de 5% na via laparoscópica) e mais altas em casos complicados, podendo chegar a cerca de 20%. A mortalidade relacionada à cirurgia é baixa, inferior a 0,5%.

Recuperação

A recuperação após a apendicectomia costuma ser rápida, principalmente quando realizada por via laparoscópica:

  • A maioria dos pacientes recebe alta hospitalar em até 24 horas.

  • O retorno às atividades cotidianas costuma ocorrer entre 1 e 2 semanas após a cirurgia, podendo variar de acordo com o tipo de atividade e a presença de complicações.

  • Em casos de apendicite complicada (com perfuração ou abscesso), a recuperação tende a ser mais lenta, exigindo acompanhamento médico mais próximo.

  • Esforços físicos intensos e levantamento de peso devem ser evitados nas primeiras semanas, conforme orientação da equipe cirúrgica.

A remoção do apêndice não compromete o funcionamento do organismo a longo prazo, já que esse órgão não exerce função essencial comprovada na digestão.

Referências

  1. Moris D, Paulson EK, Pappas TN. "Diagnosis and Management of Acute Appendicitis in Adults: A Review." JAMA, 2021. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2787479

  2. Salminen P, Haijanen J, Minneci PC, et al. "Appendicitis." Nature Reviews Disease Primers, 2025. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41572-025-00649-5

  3. Bonomo RA, Chow AW, Edwards MS, et al. "2024 Clinical Practice Guideline Update by the Infectious Diseases Society of America on Complicated Intra-Abdominal Infections." IDSA, 2024. Disponível em: https://www.idsociety.org/practice-guideline/complicated-intra-abdominal-infections/

  4. Poprom N, Wilasrusmee C, Attia J, et al. "Comparison of Postoperative Complications Between Open and Laparoscopic Appendectomy: An Umbrella Review of Systematic Reviews and Meta-Analyses." Journal of Trauma and Acute Care Surgery, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32649616/

  5. Podda M, Ceresoli M, De Simone B, et al. "Diagnosis and Treatment of Acute Appendicitis: 2025 Edition of the World Society of Emergency Surgery Jerusalem Guidelines." JAMA Surgery, 2026. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamasurgery

  6. Jaschinski T, Mosch CG, Eikermann M, et al. "Laparoscopic versus open surgery for suspected appendicitis." Cochrane Database of Systematic Reviews, 2018. Disponível em: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD001546.pub4/full

  7. Bass GA, Mohseni S, Ryan ÉJ, et al. "Clinical practice selectively follows acute appendicitis guidelines." European Journal of Trauma and Emergency Surgery, 2023. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00068-022-02158-x

  8. Kumar SS, Collings AT, Lamm R, et al. "SAGES guideline for the diagnosis and treatment of appendicitis." Surgical Endoscopy, 2024. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00464-024-10813-y

  9. Snyder MJ, Guthrie M, Cagle S. "Acute Appendicitis: Efficient Diagnosis and Management." American Family Physician, 2018. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2018/0701/p25.html

Autor:

Dheysson de Souza Silva

Redator de conteúdo do Hospital e Maternidade Santa Cecília

Data de publicação:

Leia também

Cirurgia de Hérnia: Sintomas, Como é feita e Recuperação

Cirurgia de Hérnia: Sintomas, Como é feita e Recuperação

Hérnia tem cura cirúrgica definitiva. Veja sintomas, sinais de urgência, técnicas disponíveis e o que esperar da recuperação após a operação.

Ler mais
Vasectomia: Como Funciona, Recuperação e Reversão

Vasectomia: Como Funciona, Recuperação e Reversão

Entenda como é feita a vasectomia, o tempo de recuperação, a cicatriz, a ejaculação após a cirurgia e a possibilidade de reversão do procedimento cirúrgico.

Ler mais
Pedra na vesícula: causas, sintomas e tratamento

Pedra na vesícula: causas, sintomas e tratamento

Entenda causas, sintomas como cólica biliar, diagnóstico por ultrassom e tratamento, da observação à cirurgia

Ler mais