Por Hospital e Maternidade Santa Cecília

Histerectomia: como a cirurgia de remoção do útero é realizada?

Histerectomia: como a cirurgia de remoção do útero é realizada?

A histerectomia é a cirurgia para remover o útero e é uma das operações ginecológicas mais realizadas no mundo. Dependendo do caso, o cirurgião também pode remover as trompas e os ovários, ou preservá-los, e pode ou não remover o colo do útero. Existem alguns tipos, de acordo com o que é retirado: - Histerectomia total: remove o útero inteiro, incluindo o colo do útero. - Histerectomia subtotal (ou parcial): remove apenas o corpo do útero, mantendo o colo. - Histerectomia com anexectomia: além do útero, remove também as trompas e/ou ovários. Importante: depois da histerectomia, a mulher não menstrua mais e não pode engravidar. Se os ovários forem removidos antes da menopausa, ocorre menopausa cirúrgica imediata, com queda abrupta dos hormônios.

Quando a histerectomia é indicada?

Cerca de 90% das histerectomias são feitas por causas benignas, não relacionadas a câncer. As indicações mais comuns são: - Miomas uterinos (leiomiomas): causam sangramento intenso ou sintomas de compressão pélvica; é a indicação mais frequente. - Sangramento uterino anormal: quando não responde a tratamentos clínicos ou menos invasivos. - Endometriose e adenomiose: em casos graves e refratários a outros tratamentos. - Prolapso de órgãos pélvicos: quando o útero desce pela vagina. - Doenças malignas ou pré-malignas: câncer de útero, colo do útero, ovário, ou lesões pré-cancerosas, e em algumas mutações genéticas que aumentam o risco de câncer de endométrio. Na maioria das condições benignas, existem alternativas menos invasivas (medicamentos, embolização de artérias uterinas para miomas, ablação endometrial para sangramento, ou pessário para prolapso). A histerectomia costuma ser considerada quando essas opções não funcionaram ou quando a mulher deseja uma solução definitiva.

Como a histerectomia é realizada

Existem quatro principais vias cirúrgicas: - Histerectomia vaginal: o útero é removido pela vagina, sem cortes no abdômen. É a via preferida sempre que viável, por estar associada a melhores resultados e recuperação mais rápida. - Histerectomia laparoscópica: feita por pequenos cortes no abdômen, com uma câmera e instrumentos finos ("cirurgia por vídeo" ou "buraco de fechadura"). O útero pode ser retirado pela vagina ou fragmentado e retirado por uma das pequenas incisões. - Histerectomia robótica: variação da laparoscópica em que o cirurgião controla um robô à distância, com maior precisão de movimentos. - Histerectomia abdominal: feita através de um corte maior na parte baixa do abdômen. É reservada para casos de útero muito aumentado, câncer, aderências extensas ou quando as outras vias não são possíveis. A histerectomia vaginal e a laparoscópica são chamadas de "minimamente invasivas", pois não exigem grande incisão abdominal e geralmente permitem internação mais curta e recuperação mais rápida do que a via abdominal.

Cuidados e exames necessários no pré-operatório

Antes da cirurgia, o médico normalmente solicita: - Exames de sangue, incluindo hemograma (para avaliar anemia) e exames de coagulação. - Exame ginecológico e de imagem (ultrassom pélvico) para avaliar o tamanho do útero e planejar a via cirúrgica. - Papanicolau atualizado e avaliação de possíveis lesões do colo do útero, quando aplicável. - Avaliação clínica geral, incluindo risco cardiovascular e anestésico, principalmente se houver outras doenças. - Suspensão de determinados medicamentos (como anticoagulantes) conforme orientação médica. - Jejum nas horas anteriores à cirurgia, conforme instrução da equipe de anestesia. A escolha da via cirúrgica leva em conta o tamanho e formato do útero e da vagina, doenças associadas (como endometriose ou aderências), experiência do cirurgião, e a preferência da paciente informada.

Recuperação e cuidados pós-operatórios

O tempo de recuperação varia bastante conforme a via cirúrgica utilizada. Estudos mostram que o retorno às atividades normais é mais rápido após histerectomia vaginal ou laparoscópica do que após a via abdominal, enquanto a recuperação completa após cirurgia abdominal pode levar cerca de 37 a 42 dias, após cirurgia vaginal ou laparoscópica esse período tende a ficar entre 22 e 38 dias. Comparado à cirurgia aberta, o procedimento minimamente invasivo também está associado a menos dor, menos fadiga, menos distensão abdominal e menor tempo de internação nos primeiros dias após a operação. Cuidados gerais no pós-operatório incluem: - Repouso relativo nas primeiras semanas, evitando esforços físicos intensos e levantamento de peso. - Evitar relações sexuais e uso de duchas vaginais por algumas semanas, conforme orientação médica. - Cuidados com a incisão cirúrgica, observando sinais de infecção (vermelhidão, secreção, febre). - Manejo da dor com analgésicos prescritos. - Retorno gradual às atividades cotidianas, com liberação progressiva para exercícios e trabalho conforme orientação do cirurgião. - Consulta de retorno para avaliar a cicatrização e discutir os resultados do exame da peça cirúrgica, quando aplicável. Sinais de alerta que exigem contato imediato com a equipe médica: febre, sangramento vaginal intenso, dor abdominal forte e progressiva, sinais de infecção na incisão, ou dificuldade para urinar.

O que acontece no corpo após a histerectomia

Depois da histerectomia, a menstruação cessa definitivamente e a gravidez não é mais possível. Se os ovários forem preservados, eles continuam produzindo hormônios (estrogênio e progesterona) até a idade natural da menopausa, então não há sintomas imediatos de menopausa apenas pela remoção do útero. Se os ovários também forem removidos antes da menopausa natural, ocorre queda abrupta dos hormônios, levando a sintomas de menopausa cirúrgica, como ondas de calor, secura vaginal e alterações de humor, que costumam ser mais intensos do que na menopausa natural. Existem debates na literatura sobre riscos de longo prazo mesmo quando os ovários são preservados, incluindo possível aumento do risco cardiovascular, principalmente quando a cirurgia é feita antes dos 35 anos — mas estudos mais recentes com populações diversas não confirmaram esse achado de forma consistente. Por isso, essa é uma decisão que deve ser individualizada e discutida com o médico.

Referências

  1. Surgical Approach to Hysterectomy for Benign Gynaecological Disease

    . Pickett CM, Seeratan DD, Mol BWJ, et al. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2023;8:CD003677. doi:10.1002/14651858.CD003677.pub6.

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