Por Hospital e Maternidade Santa Cecília

Laqueadura: o que é, vantagens, desvantagens e recuperação

Laqueadura: o que é, vantagens, desvantagens e recuperação

A laqueadura, também chamada de esterilização tubária ou "ligadura de trompas", é um método contraceptivo permanente. Nela, as trompas de Falópio — os canais que levam o óvulo do ovário até o útero — são cortadas, bloqueadas ou seladas, impedindo que o espermatozoide encontre o óvulo. É considerado um dos métodos mais eficazes de contracepção que existem.

Quem pode fazer a laqueadura

A laqueadura é indicada para mulheres que já concluíram o planejamento familiar e têm certeza de que não desejam mais engravidar no futuro. Antes de indicar o procedimento, o médico deve conversar detalhadamente sobre a técnica, a eficácia, os riscos, e também sobre alternativas — como métodos reversíveis de longa duração (DIU, implante) e a vasectomia do parceiro. É importante que a mulher entenda que a laqueadura é um procedimento permanente. Fatores como idade jovem, relacionamento instável e ter poucos filhos aumentam o risco de arrependimento futuro, e a reversão, quando desejada, costuma ser cara e frequentemente não é coberta por planos de saúde. Em uma mulher bem informada, idade e número de filhos não devem ser, por si só, motivos para negar o procedimento.

Quanto tempo após o parto posso realizar a laqueadura?

A laqueadura pode ser feita em diferentes momentos. Aproximadamente metade das laqueaduras realizadas nos Estados Unidos ocorre no período pós-parto — feitas por uma pequena incisão logo após o parto vaginal ou durante uma cesárea. Quando não é feita nesse momento, o procedimento pode ser realizado depois, em uma data agendada sem relação com o parto, chamado de procedimento "intervalar".

Como é realizada a laqueadura

A técnica mais comum é a laparoscopia: o cirurgião faz pequenos cortes no abdômen e insere uma câmera e instrumentos finos para localizar e ocluir as trompas, usando cauterização, clipes, anéis ou remoção de parte da trompa (salpingectomia parcial ou total). É geralmente feita em ambiente ambulatorial, sob anestesia geral, permitindo inspeção de órgãos pélvicos e retorno rápido às atividades. Quando feita junto do parto (pós-parto), utiliza-se com frequência uma pequena incisão abdominal (minilaparotomia) para remover um segmento das trompas.

Vantagens e desvantagens da laqueadura

Vantagens: é altamente eficaz, definitiva (não exige lembrar de tomar remédio ou repor métodos), permite inspeção da cavidade abdominal durante a cirurgia e possui baixo risco de complicações graves. A remoção completa das trompas (salpingectomia) também está associada a redução do risco de câncer de ovário. Desvantagens: não protege contra infecções sexualmente transmissíveis, incluindo HIV; é um procedimento cirúrgico, com risco cirúrgico associado à anestesia geral; e, embora raro, existe risco de falha (gravidez) e de arrependimento, sobretudo se realizada em idade jovem.

É possível engravidar após a laqueadura?

Sim, embora seja raro. Estudos mostram taxas de gravidez variáveis segundo o método usado e o tempo desde a cirurgia. Dados do estudo CREST indicaram uma probabilidade cumulativa de gravidez em 10 anos entre 1,8 e 54,3 por 1.000 procedimentos, dependendo do método e da idade da paciente. Análises mais recentes de dados americanos (2002-2015) encontraram taxas mais altas do que se pensava anteriormente — mais de 5% das mulheres relataram gravidez após laqueadura, com taxa estimada de 2,9% no primeiro ano após o procedimento. Um ponto importante: quando ocorre gravidez após a laqueadura, existe risco maior de que essa gravidez seja ectópica (fora do útero), o que exige atenção médica imediata. Ainda assim, o risco absoluto de gravidez ectópica após a laqueadura é bem menor do que em mulheres que não usam nenhum método contraceptivo.

Como é a recuperação

A recuperação após a laqueadura por laparoscopia costuma ser rápida, com retorno às atividades habituais em poucos dias, já que os cortes são pequenos. É esperado algum desconforto abdominal, inchaço e cansaço nos primeiros dias. Quando a laqueadura é feita logo após o parto, a recuperação se soma à recuperação do próprio parto. Complicações graves são raras: mortes associadas ao procedimento são estimadas em cerca de 1 a 2 para cada 100.000 cirurgias, na maioria dos casos relacionadas à anestesia geral e não à técnica cirúrgica em si.

Laqueadura é reversível?

A laqueadura deve ser considerada permanente, e por isso a decisão precisa ser bem pensada antes da cirurgia. No entanto, existe a possibilidade de reversão cirúrgica (reanastomose tubária) para mulheres que se arrependem e desejam engravidar novamente. A reversão é uma cirurgia mais complexa, que reconecta os segmentos das trompas usando técnicas microcirúrgicas, por laparotomia, laparoscopia ou cirurgia robótica. As taxas de gravidez após a reversão variam de 42% a 69%, sendo a idade da mulher o fator mais importante para o sucesso: mulheres com menos de 30 anos no momento da reversão têm taxas de gravidez em torno de 88%, enquanto o sucesso diminui progressivamente com o avanço da idade. O método usado na laqueadura original também influencia o resultado — reversões de laqueaduras feitas com clipes ou anéis tendem a ter melhores taxas de sucesso do que as feitas por cauterização. Para mulheres mais velhas, a fertilização in vitro (FIV) pode ser uma alternativa mais custo-efetiva do que a cirurgia de reversão, embora a escolha entre as duas opções deva ser individualizada, considerando idade, custo, qualidade do sêmen do parceiro e preferências reprodutivas.

Referências:

1. ACOG Practice Bulletin No. 208: Benefits and Risks of Sterilization. Obstetrics and Gynecology. 2019. Committee on Practice Bulletins—Gynecology

2. Long-Acting Methods of Contraception. The New England Journal of Medicine. 2005. Peterson HB, Curtis KM.

3. Pregnancy after Tubal Sterilization in the United States, 2002 to 2015. NEJM Evidence. 2024. Schwarz EB, Chiang AY, Lewis CA, Gariepy AM, Reeves MF.

4. Role of Tubal Surgery in the Era of Assisted Reproductive Technology: A Committee Opinion. Fertility and Sterility. 2021.

5. Tubal Anastomosis After Previous Sterilization: A Systematic Review. Human Reproduction Update. 2017. van Seeters JAH, Chua SJ, Mol BWJ, Koks CAM.SR

6. Female Sterilization Reversal in the Era of in-Vitro Fertilization. Current Opinion in Obstetrics & Gynecology. 2022. Garg N, Milad MP.

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